Notícia

Araponga (MG), o município cafeicultor  diferenciado na Região das Matas de Minas

Araponga (MG), o município cafeicultor diferenciado na Região das Matas de Minas

Fonte: Carlos Arantes Corrêa - Revista Attalea Agronegócios

Contato: carlos@revistadeagronegocios.com.br
Data: 25/12/2017

Cafeicultores do município foram destaques em vários concursos de qualidade nos últimos anos

A Indicação Geográfica (IG) é usada para identificar a origem de produtos ou serviços quando o local de produção tenha se tornado conhecido ou quando sua proveniência determine característica ou qualidade específica.

O registro permite delimitar a área geográfica e restringir aos produtores e prestadores de serviços da região, organizados em entidades representativas, o uso da IG, o que, mantendo os padrões locais, impede que outras pessoas utilizem indevidamente o nome da região.

As Indicações Geográficas são conhecidas há muito tempo em países com grande tradição na produção de vinhos e produtos alimentícios, como França, Portugal e Itália. No Brasil, o termo Indicações Geográficas foi introduzido por ocasião da promulgação da Lei da Propriedade Industrial nº 9.279, de 14 de maio de 1996.

No Brasil, a IG ela tem duas modalidades: Denominação de Origem (DO) e Indicação de Procedência (IP).

A IP - Indicação de Procedência refere-se ao nome do local que se tornou conhecido por produzir, extrair ou fabricar determinado produto ou prestar determinado serviço.

A DO - Denominação de Origem refere-se ao nome do local, que passou a designar produtos ou serviços, cujas qualidades ou características podem ser atribuídas a sua origem geográfica.

Para evitar a utilização indevida de uma Indicação Geográfica para determinado produto ou serviço, o registro no INPI (www.inpi.gov.br) surge como fator decisivo para garantir a proteção do nome geográfico e desta forma obter uma diferenciação do produto ou serviço no mercado.

Especificamente na área da cafeicultura, listamos atualmente 01 Denominação de Origem = Região do Cerrado Mineiro (2013); e também 05 Indicações de Procedência = Região do Cerrado Mineiro (2005), Região da Serra da Mantiqueira de Minas Gerais (2011), Norte Pioneiro do Paraná (2012), Região da Alta Mogiana (2013) e Região de Pinhal (2016).

 

A CAFEICULTURA EM MINAS GERAIS - Desde a década de 1990 Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil, que também se mantém no topo da lista da produção mundial, com cerca de 45 milhões de sacas/ano. O país é o principal exportador do produto (cerca de 36 milhões de sacas/ano) e o segundo maior consumidor.

Diferentemente das delimitações estabelecidas pelas Indicações de  Geográficas, o Programa Certifica Minas Café, programa estadual coordenado pela EMATER-MG, que busca  orientar os produtores para a adequação das propriedades às boas práticas agrícolas em todos os estágios da produção, atendendo também normas ambientais e trabalhistas reconhecidas internacionalmente, subdivide o Estado de Minas Gerais em quatro regiões produtoras de café: Cerrado, Chapadas de Minas, Matas de Minas e Sul de Minas.

 

MATAS DE MINAS - A região das Matas de Minas responde, hoje, por aproximadamente 24% da produção do grão no Estado, em 275 mil hecta-res, cultivados por 36 mil produtores. Destes, aproximadamente 80% têm entre três e 20 hectares plantados, caracterizando a predominância da agricultura familiar. Todos os 63 municípios da região, localizados nas ba-cias dos rios Doce e Paraíba do Sul, e ocupando 3% do território do estado, têm em comum o fato produzirem café em altitudes que variam de 600 metros a 1.200 metros.

A variedade mais cultivada é a Catuaí, representando mais de 80% da área cultivada em toda a região. E as características mais marcantes do café produzido nas Matas de Minas é de um sabor encorpado; com aroma intenso, com notas florais e cítricas; com sabor adocicado, com sabores cítricos, caramelado e achocolatado; e acidez delicada e equilibrada.

Os principais municípios produtores de café da região são: Manhuaçu (MG), Alto Caparaó (MG), Araponga (MG), São João do Manhuaçu (MG), Luisburgo (MG), Caratinga (MG) e Ervália (MG).

Trata-se de uma grande área produtora de cafés de qualidade. E, na busca pelo reconhecimento da eficiência, transparência e qualidade da cafeicultura praticada na região surgiu a necessidade da criação de uma nova Identidade Geográfica, vinculada à qualidade superior do café nela produzido. Um Conselho já foi criado, envolvendo entidades de alguns municípios, interessadas em organizar regras e conceitos necessários para pleitear junto ao INPI a IG da Região das Matas de Minas. Mas ainda é necessária articulação com várias outras entidades de cafeicultores de outros municípios.

Dentre os fatores ambientais da região destaca-se o clima favorável à produção de cafés de qualidade. As características do clima da região são influenciadas pela localização das Matas de Minas.

Devido às características de relevo montanhoso, com altitude média de 697 metros e, principalmente, pela localização na porção leste de Minas Gerais, apresenta clima temperado, com temperaturas amenas em grande parte de sua área; maior incidência de radiação solar nas áreas de maiores altitudes e período bem definido das estações chuvosa e seca, sendo todas essas características climáticas da região favoráveis à prática da cafeicultura para obtenção de cafés de qualidade superior.

 

ARAPONGA SE DESTACA - Município com cerca de 8 mil habitantes e mais de 2 mil propriedades produtoras de café Arabica, Araponga (MG) vem se destacando nos últimos cinco anos com premiações expressivas nos concursos de qualidades de cafés no Estado de Minas Gerais e de empresas especializadas do setor.

Tudo começou por volta de 2003, quando João Vítor de Assis/Paulo Miranda foi campeão do 13º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso, organizado pela illycaffè.

No mesmo ano, Carlos Sérgio Sanglard (Fazenda Serra do Boné) foi campeão do Cup of Excellence, concurso organizado pela BSCA - Associação Brasileira de Cafés Especiais. O seu lote foi adquido pela empresa japonesa Maruyama Coffee por US$ 52.361,45 (R$ 126.341,00 na época).

Carlos Sérgio Sanglard voltou a se destacar em 2004, com a 6ª colocação no 14º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso. Já em 2006, durante o 8º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil, Sanglard ficou na 4ª colocação; concurso que merece destaque, também, para os cafeicultores araponguenses melhores classificados: Afonso Ferreira (Sítio da Cachoeira); José Antônio Nascimento Ribas (Sítio das Jaboticabas); e José Mauro Miranda (Sítio dos Estouros).

Em 2011, Carlos Sérgio Sanglard (Fazenda Serra do Boné) foi vice-campeão do 11º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil. Seu lote de 20 sacas foi arrematado pelo consórcio formado por Kyokuto Fadie Corporation, Tashiro Coffee, Time’s Club for C-COOP e Coffee Libre, que pagou US$ 1.600,53 a saca.

O cafeicultor Édio Anacleto Miranda (Fazenda Santo Antônio do Prado) é um dos principais “colecionadores de prêmios de qualidade de café”.  Sr. Édio foi 1º lugar no 16º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso (em 2006) e também campeão em 2012, na 22ª edição do concurso da illycaffè. Neste mesmo concurso, foi 5º colocado no ano de 2011 e 9º colocado em 2009. Já no Cup of Excellence, organizado pela BSCA, Édio Anacleto Miranda conquistou o 12º lugar em 2012 e 15ª colocação em 2014. Durante a SIC - Semana Internacional do Café, Édio Anacleto conquistou o 5º e 7º lugar no ano de 2014 e a 7ª colocação no ano de 2015, na premiação Coffee of the Year Brasil.

O cafeicultor Antônio Sebastião Bittencourt, conhecido por “Antônio Tatão”, também foi destaque em vários concursos de qualidade da illycaffè. Foi 2º lugar em 2006; 7º colocado em 2008; 4º lugar em 2012; e vice-campeão em 2014. Além de prêmios em vários concursos de qualidade de café da EMATER-MG.

Dimas Mendes Bastos (Fazenda Serra do São Bento) foi 6º colocado em 2008, 4º colocado em 2011 e 3º colocado em 2012 do Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso.

Os irmãos Roberto Carlos de Miranda e Carlos Roberto de Miranda também se destacaram no Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso. O primeiro, 4º classificado em 2007. Já o segundo, 9º lugar em 2011.

Em março de 2014, a cafeicultora Simone Dias Sampaio Silva (Fazenda Jardim das Oliveiras), recebeu um cheque no valor de R$ 60 mil por sua amostra ter sido considerada a melhor dentre as mais de 500 analisadas pela Comissão Julgadora do 23º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso.

Em setembro de 2014, durante a SIC - Semana Internacional do Café, realizada em Belo Horizonte (MG), a cafeicultora Maria Aparecida Milagres Miranda ficou em 6º lugar no Coffee of the Year 2014.

Em dezembro de 2014, Roberto Carlos de Miranda venceu a categoria Café Natural o 11º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, sendo que o seu café foi leiloado pelo valor de R$ 1.130 por saca para a Specialty Coffees.

Em setembro de 2015, durante a SIC - Semana Internacional do Café, realizada em Belo Horizonte (MG), mais uma vez o município de Araponga (MG) foi destaque no Coffee of the Year 2015. Samuel Inácio Lopes (Sítio Pedra Redonda) conquistou o 3º lugar. Simone A. Dias Sampaio Silva (Fazenda Jardim das Oliveiras) ficou em 5º lugar. Maria Aparecida Milagres Miranda (Fazenda Santo Antônio do Prado) ficou em 7º lugar. E Jésus Euzébio Lopes (Sítio Pedra Redonda) em 9º lugar.

Em novembro de 2015, João da Silva Neto foi campeão estadual na categoria Cereja Descascado no 12º Concurso de Qualidade dos Cafés do Estado de Minas Gerais.

Em dezembro de 2015, novamente o cafeicultor João da Silva Neto, se destacou. Conquistou o primeiro lugar na categoria Cereja Descascado no 12º Concurso Nacional ABIC de Qualidade do Café, ao vencer em todos os quesitos da premiação.

No mesmo ano, no Cup of Excellence realizado em Franca (SP), organizado pela BSCA - Associação Brasileira de Cafés Especiais, em parceria com a Apex-Brasil e a Alliance for Coffee Excellence, o município de Araponga (MG) se destacou com José Bernardes Santana (Fazenda Pedra Redonda), 7º colocado na Categoria Natural, e José Mauro Miranda (Fazenda Monte Sinai), 3º colocado na Categoria Cereja Descascado.

Em 2016, no Cup of Excellence - “National Winners” (da BSCA), na categoria Natural, os cafeicultores: Simone Dias Sampaio Silva (Fazenda Jardim das Oliveiras) ficou em 2º lugar e José Roberto da Silva (Sítio da Roberta) ficou em 7º lugar. Na categoria Cereja Descascado, o cafeicultor José Mauro Miranda (Sitio dos Estouros) ficou em 6º colocado.

 

2017, O ANO DE MAIOR EXPRESSÃO PARA ARAPONGA (MG) - Mas foi este ano que os cafeicultores de Araponga (MG) se destacaram nos principais concursos de qualidade de cafés especiais de Minas Gerais.

No Cup of Excellence – considerado o maior concurso de café do Brasil e que apresenta ao mundo os melhores cafés especiais produzidos por seus associados que possuem certificação de sustentabilidade – das 25 amostras selecionadas na categoria Cereja Descascado, 13 finalistas foram de Araponga (MG). O 2º lugar ficou para o atual prefeito, Luíz Henrique Macedo Teixeira, com 91.87 pontos, e o 3º lugar ficou com o produtor José Mauro Miranda, com 90.83 pontos. Na categoria Natural, o 2º lugar foi para Paulo Henrique Miranda, com 92.37 pontos.

Em um concurso de qualidade de café, realizado pelo SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, abrangendo todos os municípios da região das Matas de Minas, os três primeiros colocados na categoria Cereja Descascado foram de Araponga (MG): 1º) - Simone Dias Sampaio (89.6 pontos); 2º) - Valdinei Rezende (88.7 pontos); e 3º) - Edimar Miranda (87.5 pontos). Na categoria Natural, o 1º lugar ficou com Aimar Izidoro do Carmo (88.13 pontos) e o 2º lugar com Itamar Miranda (87.0 pontos), ambos também de Araponga (MG).

Em Belo Horizonte (MG), a SIC – Semana Internacional do Café (SIC) – Coffee of the Year 2017, contou com mais de 150 amostras de café acima de 80 pontos selecionados para a Sala de Cupping&Negócios.

E o concurso elegeu, dos 10 primeiros colocados, 4 cafés de Araponga (MG), sendo o melhor café na categoria Arábica o da produtora Sandra Lelis da Silva [primeira mulher a conquistar o prêmio] e o 2° lugar com Carlos Sérgio Sanglard. O 5° e o 6º lugares ficaram, respectivamente, com Simone Dias Sampaio e Paulo Miranda.

Ainda neste ano, a illycaffè definiu os 40 cafeicultores finalistas do 27º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso. A Experimental Agrícola do Brasil, braço da illycaffè no país, analisou 683 amostras enviadas das principais regiões produtoras de café Arábica safra 2017/2018, o maior número dos últimos 10 anos.

Maior produtor nacional, Minas Gerais predominou na lista, com 36 finalistas provenientes de todas as regiões cafeeiras do Estado: sendo que 08 são da Região das Matas de Minas (incluindo cafeicultores de Araponga (MG) inclusos). Os seis melhores cafés do país serão revelados na cerimônia de premiação, em abril de 2018.

Já o 14º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, realizado pela EMATER-MG, contou com 2.060 amostras inscritas, um recorde. Na fase final do concurso foram provadas 187 amostras de cafés nas duas categorias (Natural e Cereja Descascado).

Destes foram selecionados os 33 melhores cafés de cada região, considerando as melhores notas nas análises sensoriais e critério de sustentabilidade, conforme regulamento.

Na categoria Natural, Leôncio Carlos Filho ficou em 2º lugar e Edmar Lopes 3º lugar. Já na categoria Cereja Descascado, Sandra Lelis da Silva ficou em 2º lugar e Paulo Henrique de Miranda em 3º lugar.

 

CARACTERÍSTICAS DA CAFEICULTURA LOCAL - Além das condições climáticas favoráveis à cafeicultura na região de Araponga (MG), o manejo adotado pelos cafeicultores locais também contribui sobremaneira para que os produtos finais alcancem a qualidade observada nos concursos de qualidade no Estado e pelo país.

As variedades mais comuns adotadas pela maioria dos cafeicultores da região são: ‘Catuaí-44’, ‘Catucaí 785/15’, ‘Mundo Novo’, ‘Bourbon’ e um pouco de ‘Catiguá’. O espaçamento mais utilizado é o de 2,80m x 1,0m.

Em sua grande maioria, a secagem é feita em terreiros de cimento e em terreiros suspensos. Poucas são as propriedades que adotam secadores estáticos ou rotativos.

E, falando em terreiros suspensos, a Fazenda Serra do Boné é referência, com mais de 3 km de extensão. A inovação é de Carlos Sérgio Sanglard, cafeicultor orgânico e premiado em vários concursos de qualidade de café, que ressalta a praticidade da estrutura e os benefícios que a mesma proporciona ao seu produto final.

 

‘COLETIVO DE PORTAS ABERTAS’ - Buscando promover a divulgação dos cafés de Araponga (MG) e, ao mesmo tempo, adquirir novos conhecimento de produção e processamento, os cafeicultores José Mauro de Miranda e Andréia Milagres participaram no início de dezembro do evento “Coletivo de Portas Abertas”, realizado em Venda Nova do Imigrante (ES).

Organizado pelo Coletivo Café, o encontro reuniu produtores de café de diversas regiões do Brasil, em especial, os da Matas de Minas, Caparaó MG/ES e Montanhas do Espírito Santo, além de compradores, Q-Graders, baristas, mestres de torra, estudantes de cafeicultura, empresários, fornecedores, consumidores.

Palestras com os nomes mais renomados e apresentações de produtores de várias regiões do País também foram realizadas. E a região de Araponga (MG) fez-se presente com José Mauro e Andréia, que apresentaram informações do porquê a região vem se destacando nos últimos anos, bem como o trabalho desenvolvido pelos cafeicultores daquela região.

Presença importante também de Leo Moço, barista renomado internacionalmente, que recentemente tornou-se tricampeão nacional no 16º Campeonato Brasileiro de Barista realizado em agosto no Sul de Minas, na cidade de São Lourenço (MG). Dias antes, Leo Moço visitou várias propriedades cafeeiras em Araponga (MG), conhecendo técnicas, procedimentos e os sabores produzidos naquela localidade. E fez questão de apresentar estas informações durante o Coletivo de Portas Abertas.

 

A IMPORTÂNCIA DE UMA ASSOCIAÇÃO - Os concursos de qualidade de café têm se mostrado importantes. E em todas as regiões cafeeiras do Brasil. Principalmente quando passam a mudar o modo de produção. Os resultados alcançados pelos cafeicultores de Araponga (MG) são a prova disto.

A qualidade dos cafés de Araponga (MG), contudo, não depende exclusivamente das condições naturais da região. Também depende do bom gerenciamento de cada propriedade e da produção, desde a variedade escolhida e o manejo mais adequado das lavouras, aliados à colheita e a secagem bem feitas e planejados, de forma a garantir e privilegiar a qualidade natural dos cafés da região.

E cuidado não para por aí. Concluída a colheita, secagem e armazenagem, vem outra etapa importante [e mais complicada]: a comercialização.

Tradicionalmente, em praticamente todas as regiões cafeeiras do Brasil, o modelo de produção é o de commodity: produzir volume, café comum. Resultado: tem que vender pelo preço de mercado. Com isto, observa-se que uma grande maioria de cafeicultores passa por dificuldades financeiras ao final de cada safra, principalmente se o gerenciamento não tenha sido bem feito ou caso incida intempéries climáticas (seca ou granizo).

Mesmo cumprindo todas estas etapas, porém, os cafeicultores da região de Araponga (MG) encontram um entrave: obter preços diferenciados na comercialização dos seus cafés.

Com a a proposta de encontrar meios de garantir o reconhecimento financeiro melhor para a qualidade do café produzido no município, um grupo de 20 cafeicultores do município passaram a se reunir regularmente nos últimos meses. “A proposta é de se criar uma associação de produtores de cafés especiais. Se produzimos um café com qualidade superior, precisamos garantir preços melhores na comercialização da nossa safra”, afirmou Andréia Milagres, cafeicultora e filha de Édio Miranda e Maria Aparecida Milagres, destaques em vários concursos de qualidade no Estado.

Segundo Andréia, as reuniões estão sendo positivas e, em breve, a documentação da associação será protocolada. “Contamos com muitos cafeicultores interessados em participar da associação. Mas é um grupo ainda muito heterogêneo, com ideologias e condições financeiras muito diferentes, o que exige muita discussão, reflexão e comprometimento para com um bem comum”, avalia.

Para atender as necessidades iniciais do grupo de produtores, a proposta encontrada, até no momento, foi a de criar modalidades diferenciadas para cada condição do futuro associado. “O importante é que, seja qual for o modelo a ser adotado pela nossa associação, façamos com que todos sejam contemplados. Temos cafeicultores interessados que ainda não tem condições de arcar com todos os custos necessários. Mesmo assim, ele pode ser inserido na proposta, receber o amparo necessário para a melhoria técnica em sua propriedade e, com o tempo, ir se organizando. Este também é um dos preceitos do associativismo”, advertiu Andréia.

 

ORIGEM - A consequência de todo este planejamento é mostrar ao mundo que a cafeicultura desenvolvida em Araponga (MG) é diferenciada. A Indicação Geográfica é caminho natural para solucionar todos estes problemas, além de garantir um valor condizente com a qualidade do produto.

Para isto, é necessário discutir os melhores caminhos a serem traçados para os cafeicultores araponguenses. “Além das reuniões com os cafeicultores locais, também participamos de algumas reuniões com professores da UFV - Universidade Federal de Viçosa (MG), bem como com consultores do SEBRAE-MG, para que pudéssemos encontrar um melhor caminho de reconhecimento de nossa região. Também estamos em negociação com o Conselho Curador da Região das Matas de Minas, que também almeja obter a Indicação Geográfica para a região das Matas de Minas”, explicou a cafeicultora Andréia Milagres.

Segundo a cafeicultora, o importante é que os produtores de Araponga (MG) consigam um selo de rastreabilidade dos cafés produzidos no município. “Isto facilitaria muito a comercialização, inclusive a exportação. Vamos trabalhar muito nos próximos meses para garantir o reconhecimento do potencial do município. O trabalho de todos estes cafeicultores precisa ser reconhecido”, finalizou.

Edições não cadastradas